Primeiras Impressões: IPCA de janeiro repete a variação do mês anterior e indica menor pressão de demanda
Por Marcela Kawauti – Economista-Chefe da Lifetime Gestora de Recursos
A variação de preços ao consumidor medida pelo IPCA ficou em 0,33% em janeiro, repetindo o número de dezembro. A alta mensal do índice foi puxada por Transportes (0,60%), por conta do reajuste da gasolina. Esse item respondeu por uma contribuição de 0,1 p.p. na inflação cheia; ou seja, caso o aumento não tivesse ocorrido, a variação do índice teria sido de 0,23%. Além disso, houve variação positiva em Comunicação (+0,82%), com destaque para a alta de aparelhos telefônicos e os reajustes em planos de TV por assinatura, telefonia e internet.
O índice acumulado em 12 meses acelerou de 4,26% para 4,44% e segue dentro do intervalo de tolerância. Dentre os núcleos, o destaque negativo nessa comparação foram os bens monitorados, que avançaram de 5,3% para 7,5%, refletindo o aumento dos combustíveis.
Por outro lado, houve evolução positiva em alimentação no domicílio, que passou de 1,4% para 0,5%, ajudada tanto pela queda nos preços indexados ao câmbio quanto pela normalização dos custos dos alimentos (após a alta expressiva no final de 2024, por conta do clima adverso, com secas e queimadas). Além disso, o bem-vindo recuo dos preços de serviços, que passaram de 6,0% para 5,3% entre dezembro e janeiro, indica que o efeito defasado da política monetária contracionista tem reduzido a pressão da inflação de demanda.
Em resumo, os primeiros dados da inflação ao consumidor de 2026 trouxeram boas notícias. À desaceleração dos preços ligados ao câmbio somou-se o recuo da inflação de serviços, indicando menor pressão de demanda. Os dados referendam a expectativa de início do corte de juros na próxima reunião do Banco Central, em março, e podem dar força às expectativas de um recuo de 50 pontos-base na Selic.
