Primeiras Impressões: IPCA volta a acelerar, mas pressões de demanda ainda preocupam
Por Marcela Kawauti – Economista-Chefe da Lifetime Gestora de Recursos
A variação de preços ao consumidor, medida pelo IPCA, avançou de 0,09% em outubro para 0,18% em novembro, em linha com a expectativa dos economistas. A alta mensal do índice foi puxada pelos grupos Habitação (0,52%), Transportes (0,22%) e Despesas Pessoais (0,77%). Os destaques dentro desses segmentos foram, respectivamente, energia elétrica residencial (impactada pela bandeira tarifária vermelha), passagem aérea e hospedagem. Com relação a este último item, o avanço em Belém (+178,93%) foi o principal responsável pela guinada observada, em razão da realização da COP-30 na cidade. Excluída essa variação, o IPCA teria avançado 0,15% no mês.

O índice acumulado em 12 meses também desacelerou e voltou para dentro do intervalo de tolerância da meta, passando de 4,68% para 4,46%. Houve evolução positiva em alimentação no domicílio, que passou de 4,53% para 2,46%, ajudada tanto pela queda nos preços indexados ao câmbio quanto pelo efeito base da forte alta registrada no ano passado, quando o custo dos alimentos havia sido pressionado pelo clima adverso (secas e queimadas) do 2º semestre de 2024. Os bens industriais também seguem em desaceleração e passaram de 3,04% para 2,56%. Por outro lado, a pressão de demanda mantém os preços de serviços em patamar elevado, mas houve boa notícia com a desaceleração do grupo, de 6,20% para 5,95% entre outubro e novembro.
Os dados da inflação ao consumidor trouxeram, mais uma vez, sinais mistos. A desaceleração do índice cheio segue puxada pelo câmbio mais favorável, enquanto a demanda ainda exerce pressão sobre os preços de serviços, ainda que com intensidade menor do que no mês anterior. Mantemos, portanto, nossa expectativa de manutenção dos juros em patamar elevado. O ciclo de queda na taxa de juros deve ocorrer quando essas pressões se dissiparem de maneira mais concreta.
