Primeiras Impressões: IPCA volta a acelerar, mas núcleos trazem alguns sinais de alívio
Por Marcela Kawauti – Economista-Chefe da Lifetime Gestora de Recursos
Os preços ao consumidor medidos pelo IPCA voltaram ao terreno positivo em setembro, avançando de -0,11% para 0,48% na variação sobre o mês anterior. O resultado se mostrou melhor do que as expectativas dos economistas, cuja mediana de projeções era de 0,52%.
Na comparação mensal, o grupo alimentação e bebidas (com peso de 21,65%, o maior no índice) segue no campo negativo, mas com queda menor do que a registrada no mês anterior. Em agosto o índice recuou 0,46% e em setembro, 0,26%. O movimento foi mais que compensado pelo grupo Habitação, cujo avanço de 2,97% foi puxado pela alta de mais de 10,00% nas contas de energia elétrica residencial, que sofreram efeito do fim da incorporação do bônus de Itaipu e da bandeira tarifária vermelha patamar 2 no mês.
O índice acumulado em 12 meses, voltou a acelerar e se distanciar da do teto de tolerância da meta, passando de 5,13% para 5,17%. A análise dos núcleos, no entanto, trouxe alguns sinais incipientes de melhora. Houve evolução positiva em alimentação no domicílio, com variação que passou de 7,01% para 5,97%, ajudada tanto pela queda nos preços indexados ao câmbio, quanto pelo efeito base da forte alta de preços no ano passado, quando o custo de alimentos havia sido puxado para cima pelas adversidades (secas e queimadas) do 2º semestre de 2024. Os bens industriais voltaram a desacelerar, ainda que timidamente, e passaram de 3,38% para 3,24%. Por fim, os preços de serviços passaram para 6,14%, abaixo dos 6,16% do mês anterior, mas ainda acima da média de 5,86% dos 6 meses anteriores.

Os dados da inflação ao consumidor trouxeram, mais uma vez, sinais mistos. O índice cheio voltou a acelerar tanto no dado mensal quanto no acumulado em 12 meses, mas com sinais de melhora quando olhamos o detalhamento dos números. A influência da performance favorável do câmbio ao longo do ano ainda traz impacto benigno na desaceleração dos custos de produtos importados e commodities, ainda que essa ajuda esteja perdendo força à medida que a taxa começa a encontrar um piso. Por outro lado, a inflação de demanda medida pelos preços de serviços segue acima dos 6,00%, apesar da leve desaceleração. Mantemos, portanto, nossa expectativa de manutenção dos juros em patamar elevado nas próximas reuniões do Copom. O ciclo de queda na taxa de juros deve acontecer quando essas pressões se dissiparem de maneira mais concreta.
