Primeiras Impressões: PIB brasileiro fecha 2025 em 2,3% e acumula crescimento de 18% desde o final da pandemia
Por Marcela Kawauti – Economista-Chefe da Lifetime Gestora de Recursos
No último trimestre de 2025, o PIB brasileiro ficou muito próximo da estabilidade, com crescimento de 0,1% na comparação com o trimestre anterior e praticamente repetindo a performance do terceiro trimestre do ano (0,0%). Com esse resultado, o PIB brasileiro fechou o ano com crescimento de 2,3%, desacelerando em relação aos 3,4% registrados em 2024.
Do lado da oferta, chama a atenção o crescimento da agropecuária, que avançou 11,7% em 2025, beneficiada pelas safras recordes de soja, milho e laranja, além da pecuária. Em menor magnitude, também houve crescimento de serviços (1,8%), principal motor da economia desde o fim da pandemia, e da indústria (1,4%), com destaque para a indústria extrativa (extração de petróleo e gás) e para a construção civil. Do lado da demanda, o consumo das famílias cresceu 1,3% em 2025, e os destaques ficaram com as performances da administração pública (2,1%) e da formação bruta de capital fixo (2,9%).

Em resumo, o PIB brasileiro veio dentro do esperado, com algumas especificidades em seu detalhamento. O primeiro semestre mostrou avanço da economia, seguido de estabilidade na segunda metade do ano como resultado do efeito defasado da elevação dos juros. Além disso, os destaques do ano vieram de segmentos não cíclicos (agricultura e consumo do governo), com menor dependência do ciclo econômico e das condições de política monetária. Por outro lado, houve desaceleração ordenada em serviços, indústria e consumo das famílias, que tiveram crescimento positivo, mas em menor intensidade na comparação com 2024. O aperto nos juros trouxe, portanto, um efeito de esfriamento da economia, ainda que a atividade tenha apresentado maior resiliência neste ciclo em comparação com ciclos anteriores.
