Primeiras Impressões: Prévia da inflação de julho fica abaixo do esperado com variação mensal de 0,06%
Marcela Kawauti – Economista-Chefe da Lifetime Gestora de Recursos
A prévia da inflação ao consumidor medida pelo IPCA-15 passou de 0,41% em junho para 0,06% em julho, significativamente abaixo dos 0,21% esperados pelos analistas de mercado. A desaceleração do índice foi puxada principalmente por Alimentação e Bebidas (de 0,74% para -0,66%) por conta do alívio no custo de frete e transporte de produtos in natura. O recuo foi parcialmente compensado pela aceleração de energia elétrica residencial, impulsionando o grupo Habitação (de 0,72% para 0,97%); e de passagens aéreas que levou o grupo Transportes de -0,03% para 0,11%.

Além da desaceleração na comparação mensal, o acumulado em 12 meses recuou de 4,80% para 4,52%, voltando a se aproximar do limite de tolerância da meta de inflação (4,50%). O grupo Alimentação no Domicílio passou de 3,40% para 2,63% e os monitorados desaceleraram de 5,50% para 5,33%. Ainda há, no entanto, reflexos da inflação de demanda, medida pelos preços de serviços que seguem muito próximos de 6,00% na prévia do mês (em 5,95%, ante 6,25% no mês anterior).
A prévia de inflação de julho trouxe, portanto, uma melhora importante e mais acentuada do que o esperado à medida que os efeitos do choque de commodities se dissipam. Apesar da pressão de inflação de demanda e de preços administrados (energia elétrica), os números reforçam as expectativas de continuidade do ciclo parcimonioso de corte de juros na próxima reunião do Copom no início de agosto.
