Fundação Iberê em Porto Alegre: preservação de patrimônio e continuidade de um legado
“A Fundação Iberê foi criada em 1995, com a missão de preservar, investigar e divulgar a obra de Iberê Camargo, além de aproximar o público deste que é um dos grandes nomes da arte brasileira do século XX, estimulando a reflexão sobre arte, cultura e educação por meio de programas transdisciplinares e do fomento à própria produção artística”.
A definição da Fundação Iberê por ela mesma não deixa dúvidas do que será visto ao entrarmos no prédio que, já de fora, chama atenção por sua arquitetura contemporânea e completamente destoante da paisagem local.
Ao adentrar o tão imponente prédio, os visitantes são recebidos em um salão com pé direito altíssimo e espaço livre onde fica a recepção para o check-in de entrada. Já nos primeiros momentos, é de se notar o cuidado da Fundação em passar a imagem correta: a de preservação de um legado. Todos os andares são extremamente bem pensados e organizados individualmente de acordo com as exposições do momento, onde a sensação de exclusividade é constante: em meio a salas amplas, silenciosas e impecavelmente organizadas, o visitante tem a impressão de estar em uma jornada pessoal por um acervo de imenso valor simbólico e cultural.

E não apenas do espólio do artista que dá nome ao espaço é preenchido o tão suntuoso museu. No período de visitação da Lifetime (junho/2025), além de uma exposição do próprio pintor, “Estruturas do Gesto”, em que “é apresentada uma justaposição de obras em que o movimento e o deslocamento servem tanto como metáfora quanto como estratégia”¹, estavam sendo exibidas mostras de artistas contemporâneos que dialogam com o contexto das obras e propósito do pintor gaúcho, como as do Ateliê Gravura – ateliê da Fundação “dedicado a preservação da prensa e de ferramentas utilizadas por Iberê, que desde os anos 1940 teve a prática da gravura simultânea ao seu ofício de pintor e, através do Projeto Artista Convidado, recebe artistas em fase de experimentação desta técnica”² – simultaneamente a outra mostra de um dos maiores precursores deste mesmo Ateliê, Carlos Martins, nomeada de “Sombra da Terra” pois contempla “imagens de duplicação do real, principalmente por meio de sombras e reflexos. A ênfase demonstra a consideração de Carlos Martins por aquilo que é constitutivo do entorno imediato e por aquilo que, ali, é obsedante, ou temporário, ou até ilusório”³.
A partir dessa imersão em um universo completamente ligado a este grande nome da arte brasileira e, principalmente, da arte gaúcha, é possível perceber como a arte se transforma, se reinventa e permanece viva. A visita à Fundação Iberê é uma experiência sofisticada e, ao mesmo tempo, íntima. Mais do que contemplar obras, é estar em contato com a preservação do patrimônio artístico nacional e com a continuidade de um legado que inspira gerações.
Com experiências como essa, a Lifetime reforça seu compromisso com a cultura, com o conhecimento e com tudo aquilo que atravessa o tempo, constrói valor e permanece essencial.
Fontes:
¹Estruturas do Gesto
