História de Valor #009: Como e por que a Bélgica se tornou o grande centro do hipismo mundial?
A história começa há séculos, quando os cavalos eram fundamentais tanto para o trabalho rural quanto para o uso militar. Dessa base nasceu uma cultura equestre sólida, que evoluiu até a criação de uma das raças mais valorizadas do mundo, o Belgian Warmblood (BWP), cavalo que se tornou sinônimo de potência e equilíbrio em provas de salto. Com o tempo, o país passou a ser conhecido não apenas por produzir animais de elite, mas também por exportá-los para todos os cantos do planeta, transformando o mercado de cavalos belgas em um dos mais valiosos da Europa.
Outro ponto que ajuda a explicar essa liderança é sua posição geográfica. A Bélgica está no coração da Europa Ocidental, entre a Alemanha, Holanda e França, regiões que juntas formam o chamado “triângulo de ouro do hipismo”. É nesse eixo que se concentram as principais competições, os melhores haras, as escolas de formação de cavaleiros e os grandes leilões. Estar localizado ali é um privilégio logístico: em poucas horas de carro, um cavaleiro pode competir em Aachen, na Alemanha, em Valkenswaard, na Holanda, ou em Fontainebleau, na França. Essa proximidade fez do país um verdadeiro polo internacional do esporte.
Além disso, o clima temperado e o relevo plano também contam a favor. Eles garantem pastagens ideais e permitem a criação de cavalos em condições muito favoráveis, sem extremos de calor ou frio que poderiam comprometer o desenvolvimento dos animais. Isso se traduz em cavalos mais resistentes e preparados para o alto rendimento.
Mas a Bélgica não é só um berço de cavalos e estabelecimentos de excelência, mas também um formador de cavaleiros campeões. Nomes como Jos Lansink, campeão olímpico e mundial, Philippe Le Jeune, vencedor do Mundial de 2010, e Gregory Wathelet ou Pieter Devos, que figuram constantemente entre os melhores do ranking, ajudam a reforçar a imagem do país como potência absoluta.
Naturalmente, todos esses fatores ajudam a atrair atletas de outros lugares do mundo e o Brasil é um bom exemplo. Muitos dos principais nomes do hipismo brasileiro escolheram viver e/ou treinar na Bélgica justamente por conta dessa estrutura. Rodrigo Pessoa, campeão olímpico em Atenas 2004 e um dos maiores cavaleiros da história, estabeleceu parte de sua carreira na Europa, com forte conexão belga. A família Luiz Felipe Azevedo, desde o avô, passando pelo pai e agora o neto de mesmo nome, também é uma referência de brasileiros que migraram para a Bélgica no intuito de dedicar-se integralmente ao esporte. Sem esquecer também de Doda Miranda, medalhista olímpico por duas vezes, e um dos mais influentes no meio da equitação, e de Marlon Zanotelli¹, que já chegou ao top 10 do ranking mundial, e construiu sua carreira com acesso direto ao mercado europeu. Zanotelli, inclusive, é um grande parceiro da Lifetime¹ e, em conjunto, estruturamos o fundo multimercado Marlon Zanotelli Horses.
A explicação do porquê a Bélgica é considerada a Meca do hipismo, portanto, não está em um único fator. O país reúne tradição histórica, localização privilegiada, clima ideal, cavaleiros de elite e um mercado bilionário que gira em torno da criação e comercialização de cavalos. Essa soma transformou o pequeno país em gigante: o lugar onde cavalos são moldados em campeões e onde atletas do mundo todo encontram as condições perfeitas para alcançar o topo do hipismo mundial.


